Bombeiro de folga e sem equipamento salva família inteira no Litoral do Paraná

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Desde o início da Operação Verão, já foram 475 afogamentos atendidos pelos salva-vidas do Corpo de Bombeiros. Foto: CB/Divulgação

 
Sem nadadeiras, flutuadores e boia circular – alguns dos equipamentos indispensáveis para salvamento aquático – um bombeiro da corporação do Estado do Paraná, que estava de folga na praia, salvou uma família no fim da tarde desta segunda-feira (1º), no Litoral. Com 14 anos de Corpo de Bombeiros, o sargento Rodrigo Sales conseguir resgatar duas irmãs – de 9 e 10 anos, e o pai delas, um homem de 45 anos.

Sargento Sales tem 14 anos de corporação. Foto: Corpo de Bombeiros/PR

O salvamento aconteceu no Balneário Primavera, próximo a Santa Terezinha, por volta das 18 horas. Ao lado da família, o bombeiro contou, em entrevista à Banda B, que notou uma agitação no mar. “Eu estava jogando bola com meu filho na areia, mas os anos de praia faz com que a gente fique olhando para os lados, pra ver o que está acontecendo. De repente, eu ouvi assovios e notei que duas meninas estavam com dificuldades pra sair do banho. Vi um rapaz com uma prancha tentando ajudar e saí correndo”, disse.
O sargento Sales contou que, quando chegou nas banhistas, havia uma terceira pessoa, um homem também se afogando. “Assim que eu vi que as duas estavam seguras, a minha ideia era resgatá-las, mas como vi que estavam flutuando e já conseguiam respirar, olhei o pai delas ainda em situação de afogamento. Nadei até ele, mesmo sem nunca ter socorrido ninguém sem meus equipamentos. Ali, ele chegou a me dizer que não ia conseguir sair”, relembrou.
Pai e filhas não estavam em uma área funda, mas em um local onde tem corrente de água, dificultando o retorno à costa. “A gente estava bem na corrente do retorno, a famosa puxada, e também não conseguia arrastá-lo, muito dificuldade. Tentei acalmá-lo, tomando água junto com ele, acabamos nós dois bebendo muita água porque no desespero ele tentava se apoiar em mim, isso é normal, a vítima tenta no desespero como último recurso, e isso fez com que eu afundasse. Até que depois de um bom tempo, um rapaz com uma prancha chegou e foi nos ajudar”, contou o sargento Sales.
Em depoimento emociante à Banda B, o bombeiro detalhou os instantes em que o pensamento negativo quase assolou o salvamento. “A parte mais crítica era quando ele me afundava e eu voltava pra respirar e ele me afundava de novo. Naquela hora passa tudo na cabeça, tem que pedir pra Deus iluminar e dar a providência necessária e, graças a Deus, encaminhou um banhista com a prancha para a gente se manter flutuando. Sem a prancha, teríamos muito mais dificuldade para sair. Agradeci muito esse rapaz, mesmo não sabendo nadar, foi lá para ajuda, um guerreiro”, ressaltou.
Mesmo com anos de experiência nas praias do Paraná, o bombeiro alerta para a importância dos equipamentos no momento do resgate.
“A gente vê como faz falta o material que sempre usamos. Foi muito complicado, só tentava mantê-lo acordado, levando ele pra cima para respirar um pouco, depois eu subia para respirar também porque é difícil manter uma pessoa flutuando e mais a gente, só com a força da perna e do braço. Como tinha que segurá-lo, um braço ficou comprometido e só mantinha batendo perna e braço”, relembra.
Sobre isso, o capitão Iverson faz um alerta importante. “Essa é uma atitude que não recomendamos ao público civil. Os bombeiros que tem o curso fazem isso por missão, não recomendamos que pessoas civis tentem socorrer, sempre é necessário um salva-vidas”, diz.
Depois do susto, o pai contou ao bombeiro de folga que entrou na água para socorrer as filhas que estavam se afogando. “Ele estava bem cansado, não quis que ele falasse muito, mas pelo pouco que me falou conseguiu jogar uma das filhas em uma boia, a segunda já não conseguiu pegar e caiu em um buraco”

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