Única viatura do IML bate e corpo fica 13 horas no meio da rua

Plantão Policial Tragédia

 

Rabecão do IML de Curitiba e região se envolveu em acidente indo buscar corpo de jovem. Foto: DM/Banda B

 
Enquanto o corpo do jovem Carlos Ramon Dias Dell Antonio, de apenas 18 anos, continuava há treze horas estendido na rua, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, a única viatura disponível do Instituto Médico Legal (IML) se envolveu em um grave acidente na Rodovia da Uva. Carlos Ramon foi morto durante assalto na noite de ontem e o corpo passou a madrugada sendo protegido por familiares. Segundo informações apuradas pela Banda B, a única viatura disponível do IML tinha ido ao Litoral, retornou pela manhã e, por volta das 9 horas, colidiu contra uma motocicleta. Em nota, a Polícia Científica informou que houve um problema pontual que ocasionou a demora no recolhimento dos corpos. Disse ainda, às 10h35, que o corpo havia sido recolhido. Porém, a foto abaixo mostra que neste horário o corpo estava lá ainda. (ler nota na íntegra abaixo).

A família Dell Antonio passou a madrugada junto do corpo, na rua Pedro Manika. O crime aconteceu por volta das 22 horas de ontem e, até então, o corpo do jovem continua no asfalto. A mãe Sueli disse que apenas policiais militares permaneceram no local. “Desde ontem à noite a gente tá aqui, nada de IML, nada de autoridade, só os policiais que ficaram porque é lei, senão já tinham ido. Meu filho foi morto por causa de um celular e a gente ainda sofre com mais isso, meu Deus”, disse à Banda B.
Já o pai Edicarlos disse que, caso o IML demorasse mais, iria recolher o corpo do filho. “Como eu vou abandonar meu filho aqui na rua? Jamais. É muito sofrimento. Nada vai amparar meu coração, estamos em pranto, é muita dor. Estou fazendo o velório do meu filho no meio do asfalto. Estamos quase ligando para a funerária”, lamentou.
A espera pelo recolhimento do corpo do filho foi ainda mais impactada com o acidente da viatura do IML. O acidente aconteceu na Rodovia da Uva, próximo ao cemitério, e envolveu um motociclista, de 19 anos. O jovem estava de moto, sentido Colombo, indo para o trabalho quando foi atingido pela viatura do IML. O estado dele é grave e ele foi socorrido pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate).
 

 
Nota Sesp
A assessoria da secretaria de Segurança Pública (SESP-PR) se manifestou em nota, às 10h35, dizendo que o corpo já tinha sido recolhido e que o problema foi pontual. Segue nota enviada à redação, na íntegra:
“A Polícia Científica informa que houve um problema pontual que ocasionou a demora no recolhimento dos corpos.
Um rabecão que atendia Curitiba estragou e foi solicitada a empresa que loca as viaturas um carro reserva, o qual não foi disponibilizado. Tendo em vista a urgência das ocorrências, a direção da Polícia Científica solicitou o deslocamento de um rabecão que atende a Operação Verão, no Litoral do Estado, para auxiliar no atendimento em Curitiba. No momento em que foi solicitado o apoio, ocorreu um homicídio no Litoral, o que ocasionou a demora para a chegada do rabecão até Curitiba.
Ressaltamos que sempre que necessário, a unidade de Curitiba conta com o apoio de outras sedes, como por exemplo a de Paranaguá. Esclarecemos que todos os corpos já foram recolhidos pelo Instituto Médico-Legal e que a empresa que loca as viaturas já disponibilizou uma nova viatura para Curitiba. O serviço está normalizado.
Informamos também que o IML Curitiba atende 32 municípios. A unidade conta com quatro viaturas e oito motoristas, que trabalham em regime de plantão.”, diz a nota
 

Relógio mostra que às 10h40 corpo permanecia no asfalto, ao contrário que informou a Sesp em nota – Foto: Marco Pires/Colaboração

 
Recolhimento
Entretanto, o recolhimento aconteceu trinta minutos depois do envio oficial da nota da SESP à redação. Com outro rabecão de Curitiba e região em conserto, a viatura do IML enviada da Operação Verão, no Litoral do Estado, chegou às 11h05 em Colombo para fazer o recolhimento do jovem.
Foram ao todo, treze horas de espera da família, no asfalto, para que o corpo de Carlos Ramon fosse retirado da rua e levado ao IML de Curitiba.
 

Viatura do IML às 11h05 no local do crime. Foto: Marco Pires/Colaboração

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