"SUICÍDIO" – Devemos falar sobre…Advogado Ary Bracarense Costa Júnior

Coluna Ary Bracarense Costa

Nos últimos meses, nossa sociedade vem enfrentando e sofrendo com perplexidade o aumento de casos de suicidio! Não obstante esta questão seja um “tabu” pouco conversado, tâo logo acontece um novo caso, sobressaltam sempre as mesmas indagações: Porquê? É óbvio que a resposta não é simplicista. Transcende a própria racionalidade humana! O fato é que o ser humano em sua grande maioria, está psicologicamente doente. A mudança comportamental de nossa sociedade, trouxe um desequilíbrio âs nossas crianças, jovens e adultos que talvez possa ser a genesis da construção deste caminho sem volta.
Infelizmente buscam no suicídio a fuga que lhes parece mais viável aos dissabores, dificuldades e frustações que surgem de suas experiências de vida. Nossos jovens não sabem mais lidar com o “não” e com as próprias dificuldades que a vida apresenta. Impressiona o excesso a busca de prazeres imediatos, como sexo, relacionamento superficial, álcool, narguile, fumo, drogas, músicas de baixa frequência, da corrida desenfreada aos bens de consumo. Tudo isso em detrimento de uma construção de valores e princípios que estão sendo renegados por nossa sociedade moderna. Importantíssima estas campanhas e movimentos para que a sociedade fique alerta ao suicidio, como teremos no próximo dia 18/03! Todavia, muito mais importante é a tentativa de compreensão humana da causa, dos motivos que levam 30% da população sofrerem quadros depressivos! A Organização Mundial da Saúde informa que o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte na faixa etária de 15 a 19 anos e em vários países ele fica como primeira ou segunda causa de morte.
Diante deste quadro caótico, resta a pergunta. O que fazer? Quais são as mudanças que podemos contribuir? É triste ver esses jovens envolvidos em tantas frustrações, sem saber enfrentá-las, decorrentes de conflitos íntimos e, muitas vezes, de uma educação mal administrada por parte dos pais, ou por serem, alguns, portadores de desequilíbrios emocionais que não foram atendidos adequadamente na infância.
Assim, cabem aos pais a tarefa maior de ampará-los, ajudá-los a construir sua própria identidade, dispensando-lhes muito amor, a fim de que se sintam-se amados e possam superar esses estados de sofrimento, choques, conflitos e dores transformando suas vidas em um caminho planejado, sustentável e não superficial. Vale lembrar, que amar não é super proteger! É ajudar a lidar com os revezes da vida. Lembro-me de uma frase do saudoso Mestre Içami Tiba: Quer dar amor a seu filho de disciplina! É óbvio disciplinar não é espancá-lo. Mas por limites. Inserir o NÃO em sua vida e ajudá-lo a processá-lo, para que o copo de decepções seja esvaziado nas fases da vida e não permitido que se transborde de forma a acabar com a própria vida. Portanto, cabe a cada um de nós, refletirmos adequadamente sobre o assunto e ter consciência plena que o “Lar” deve ser escola de real educação, que não torne as relações entre pais e filhos obsessivas e desgastantes, mas com a preocupação sincera de estabelecer-se entre eles uma amizade verdadeira, que lhes permita encontrar um porto seguro e a resistência espiritual de que precisam.
Nossa missão é clara! Educar e amar para salvar! Vamos pensar nisso!

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