Dr. ENÉAS PEREIRA RODRIGUES – UMA PÁGINA DA HISTÓRIA ISABELENSE, por Parreiras Rodrigues

Cultura

D.R ENÉAS PEREIRA RODRIGUES
UMA PÁGINA DA HISTÓRIA ISABELENSE
Recém formado em Direito pela Universidade da Bahia, uma das mais antigas e renomadas do Brasil, veio, solteiro ainda, para Sanzabel onde se instalou em uma sala de madeira, ali na Santos Dumont, meio da quadra da Predileta.
Morava, ao lado de outros jovens solteiros, na pensão da pretona dona Antonia, que erra agregada à família do farmacêutico Leônidas Pires, marido da professora Maria Lígia, de Português, pais da Liginha, da Mércia, do Mauricio, do Jr.
Paralelamente ao exercício da advocacia, iniciou-se no Magistério, lecionando História do Brasil no recém-fundado Ginásio Estadual.
Sabia-a, de cor e salteado, como se diz, desde a saída da esquadra de Cabral do porto do Tejo em Portugal, até a época contemporânea.
Detalhava as Entradas e Bandeiras, as fundações das primeiras cidades, as capitania hereditárias, as invasões dos holandeses, dos franceses e suas expulsões, as batalhas dos Sabinos, dos Mascates, dos Tenentes – 1922 ( O Esmael Esmanhotto resgatou barcos que foram afundados nas águas do Porto São José que não receberam atenção alguma por parte do Instituto Nacional de Preservação Histórica ).
Era excelente orador, mas pecava pela repetitividade e prolixidade tamanha era a sua vontade de convencimento.
Foi orador oficial em todas as celebrações – desfiles e cerimônias, do Sete de Setembro.
Início da década de 1960 voltou para Salvador donde voltou casado com dona Isaura e com ela teve os filhos Kátia Cylene odontóloga e o Jr., portador de deficiência ao qual dedicava extremo zelo, levando-o para onde fosse, assentando-o em seu colo, mesmo durante reuniões partidárias que presidia, as do MDB que ele fundou em 1966, de cujo diretório fui secretário.
O episódio que marcou a sua vida política, foi a sua prisão, uma das primeiras no Paraná, logo após o Golpe de Primeiro de Abril de 1964, que resultou na instalação do negro período da Ditadura Militar que durou até 1985.
Em cada cidade, existia um alcaguete, um dedo-duro do Regime que fazia chegar aos órgãos de repressão – SNI, Serviço Nacional de Informação – DOPS, Delegacia de Ordem Política e Social. O de Sanza, denunciou Enéas – os professores de História eram todos subversivos – os Sebastião Paulino das Lojas Pioneiras, Assis, do Sindicato, Parreiras – movimento estudantíl – os presidentes de grêmios eram todos subversivos – e outros. Subversivas eram as pessoas que discordavam da Ditadura e lutavam contra ela.
E a prisão de Enéas, aconteceu justamente durante a gravidez da Kátia. Ele ficou meses, detido no Quartel da 5ª Região Militar em Curitiba, então sediado na praça Rui Barbosa.
Ainda no PTB, antes da Ditadura, conduziu as campanhas do Leônidas Pires contra o Pedro Marcelo Bourg em 1959 – perdida, e a vitoriosa em 1962 e, em seguida as dos arenistas – Arena era o partido de sustentação da Ditadura – coligados em sub-legenda com o MDB, os vitoriosos Marquinhos Vellozo e Adão de Almeida Ramos. Batalhou em todas as campanhas para a Assembléia, Câmara Federal, Senado e Presidência, quando elegemos entre diversos, Souza Naves para o senado e a mais gloriosa, a de José Richa para o Governo do Estado.
Inimigo de ostentação, viveu sempre na mesma e velha casa, foi dono do sítio localizado na estrada do Saltinho e adorava o seu jipinho 1954.
Me divergi dele nalgumas ocasiões, mas a amizade e o respeito entre nós, nunca foi arranhada.
Saudades!

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