Caso de soldado da PM vítima de homofobia levanta dúvida: Há preconceito no Paraná?

Denúncia


Os ataques ao jovem paulista seriam de perfis anônimos na internet e até de oficiais da Polícia Militar
Por Luiz Henrique de Oliveira em 05 de julho Portal Rádio Banda B, 2018 as 08h32.
Soldado Prior foi filmando beijando o companheiro (Foto: Reprodução)
Depois que o soldado da Polícia Militar (PM) de São Paulo Leandro Barcellos Prior, de 27 anos, pediu afastamento de suas atividades profissionais pela divulgação de um vídeo em que aparece beijando outro homem, surge uma dúvida: há casos semelhantes no Paraná, seja na PM, no Corpo de Bombeiros ou no Exército?
Após a veiculação da imagem, o soldado teria recebido ataques homofóbicos virtuais e ameaças de morte. Prior teria pedido afastamento por estar “fortemente abalado”, de acordo seu advogado, José Beraldo. Segundo ele, o rapaz está em uma clínica de repouso e sob tratamento com calmantes por ter passado por um “estresse profundo”.
Os ataques ao jovem seriam de perfis anônimos na internet e até de oficiais da Polícia Militar, segundo a defesa dele. Mas afinal, essa é uma realidade constantes nos quartéis militares?
Um tenente que serve ao exército no Paraná, e que não será identificado, disse que o relacionamento é de respeito, mas muitos gays tinham medo de assumir a opção sexual. “Já servi em uma unidade em que havia dois homossexuais e o relacionamento sempre foi normal. Acredito que muitos têm medo de assumir, para não sofrer preconceito da tropa, certamente a um receio por possíveis retaliações”, afirmou.
Para um bombeiro militar da Grande Curitiba, que também não será identificado, brincadeiras acabam sendo inevitáveis. “Aqui no nosso grupamento não existe nenhum homossexual. Acredito que pode acontecer algumas brincadeiras, mas sadias, nada que vá ofender a outra pessoa”, disse.
Grupo Dignidade
Segundo Grupo Dignidade, há dois anos não há casos de preconceito em abordagens da Polícia Militar (Foto: Divulgação)
Procurado pela reportagem da Banda B, Toni Reis, diretor-executivo da organização brasileira LGBTI, chamada Grupo Dignidade, disse que há gays, lésbicas e trans na PM e que o preconceito existe, mas há resultados positivos no combate a ele. No caso que aconteceu em São Paulo, Toni acredita que foi fruto de uma pessoa extremamente maldosa. “Esta pessoa que filmou é um homofóbico. Já vi vários policiais com farda beijando a esposa, apenas em um beijo de despedida. Não havia desonra à farda”, afirmou.
Segundo Toni, justamente por atitudes como está os militares preferem não assumir a opção sexual. “Nós sabemos que a maioria procura não assumir”, disse Toni, afirmando que casos de gays e lésbicas são acompanhados de perto pelo grupo. “É importante saber que a regra para heterossexual ou homossexual, perante ao que pede a corporação militar, tem que ser a mesma, sem exageros. Agora, se houver qualquer discriminação, nós vamos atuar neste sentido, procurando defender e fazer a mediação”, descreveu.
De acordo com o ativista, até mesmo nas abordagens de policiais militares não há registros recentes de preconceito nos últimos anos em Curitiba e região. “Hoje no Paraná, graças ao diálogo que temos com a Secretaria de Segurança, conseguimos mediar isso. O preconceito diminuiu muito. Há 26 anos, quando começamos o nosso trabalho, eram de duas a três denúncias de abuso por dia. Hoje, faz mais de dois anos que não temos nenhum caso que precisou ser relatado ao comando da Polícia Militar do Paraná”, salientou.
Trabalho da OAB
O presidente da comissão de diversidade sexual e de gênero da OAB-Paraná, Rafael Dos Santos Kirchhoff, disse que, atendidos pelo órgão, não há casos recentes de homofobia em corporações militares, mas que um emblemático monstra que ainda há o preconceito. Uma mulher trans foi se alistar no Exército e acabou vítima de homofobia.
“Quando ela foi fazer o alistamento, alguns militares tiraram fotos dela e fizeram postagens nas redes sociais e divulgaram o documento dela com os dados masculinos. Isso foi levado à Justiça e a União foi condenada a pagamento de R$ 60 mil por indenização por dano moral. Esse é o caso mais recente que temos”, destacou.
Segundo Rafael Kirchoof, há muitos casos que não vem à tona, uma vez que há medo do militar em expor a sua vida pessoal. “Muitas pessoas não levam nem até a delegacia uma situação de discriminação, por medo de expor a situação. Apesar disso, as delegacias de Curitiba têm um atendimento bom e que não há reclamações. Se já existe dificuldade em uma profissão usual, na militar, onde há maior rigor, é ainda mais complicado para a pessoa assumir a opção sexual”, concluiu.
Os casos de homofobia devem ser relatados aos órgãos fiscalizadores. Eles podem resultar em processos administrativos e até indenizações por danos morais. o telefone da comissão da OAB é o 3250-5700.

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