Confrarias, Cultura

Ao conseguirmos a marca histórica de 100 mil visualizações, a homenagem do N/Blog há “UM HOMEM QUE SOUBE VIVER”


Meus fiéis e solidários amigos, da Confraria do Café da Praça Zacharias, Curitiba-Paraná!Na foto da esquerda para a direita, Nagel Yassim [el-Seyed, é da Santificada Linhagem do Imãm Ali Ibn Abi Talib (A.S.) é nosso amigo, empresário com toque de Midas e a única coisa que ele bateu nas costas e não virou ouro foi eu] ao centro o proprietário da Odontopar, amigo Tadeu Celinski e a direita o Preclaro, Conspícuo e Impoluto Doutor Jiomar josé Turin filho, leia-se Advogado do Tribunal de Contas, Paranista e defensor da tese de que ‘ humanos que fazem dieta podem ser sociopatas capazes de atrocidades bem piores que a reunião de alface, tomate, sal do himalaya e filé de frango grelhado”, porém sei eu da gratidão que tenho pelo Turin, que uma década passada, comprava minhas gominhas e conversava comigo, sob severos olhares dos Confrades, a maioria deles Maçons feito eu, mas eu, pela minha condição tinha vergonha e me faltava paciência e tempo para contar como fui parar nos sinaleiros da vida vendendo bijujas.

Habilidade dos Turin, [o falecido pai dele, também advogado era tão inteligentemente bem humorado, que uma hora de prosa com ele equivalia há um fim de semana numa fila tripla de avião, na poltrona do meio tendo Ricardo Eugênio Boechat de um lado e Arnaldo Jabour do outro lado!] certa feita ele me mandou sentar-se no banco da praça ao lado dele, baixou o senho e perguntou;”…beduíno?Você não sabe amarrar cadarços dos sapatos e sabe de Hamlet? Almoça no 1 Real e fala do Portão de Saint-Antoine como se tivesse ajudado a derrubar a Bastilha….?” eu tremi o queixo e ele disse….amigo, algum dos que te tratam te perguntaram sobre Autismo? PIMBA, uma semana depois um preceptor do Cajurú fez os testes/exames e me classificou como Asperger [metade do meu sofrimento deixou de existir ali]
Vou postar uma foto da situação física que eu vivia na época;

E, daquele dia em diante jamais eles, Turin Pai e Filho, Tadeu e outro personagem – TIDE, me deixaram faltar um terno bem cortado para as Rezas da Sexta-feira Na Mesquita de Curitiba!

Tide? TIDE NÃO, ”Seo ATHAYDE LEOPOLDO DE ANDRADE MERCER”, Cartorário, grande Humano, Restaurateur de nobres conhecimentos, filho Ilustre da honrada TIBAGI, e um dos homens mais dignos que já conheci! Tide não aparece na foto, mas mora dentro do meu coração!
Tide foi quem começou com o apelido “Beduíno”!

Meus meninos todos fazendo faculdade em Paranavaí, de forma discreta, recebiam um dinheiro que era doação de Tide, Turin, Tadeu, Dr. Ciro e Barroso todo o mês que se findava, o Tide batia no balcão do Café e bradava “Se coçem TIGRADA, vamo mandá a verba do cinema dos beduininhos”!

De convivência no Café com o Turin Pai, foram apenas 3 ou 4 anos, mas hoje, em que meu Blog completa 100 mil visualizações, fica a HOMENAGEM PÓSTUMA PARA O DOUTOR JIOMAR JOSÉ TURIN, CONFORME PUBLICOU O BLOG DO ZÉ BETO, Texto de Célio Heitor Guimarães – ” UM HOMEM QUE SOUBE VIVER ”

“Jiomar José Turin, falecido neste ano da graça de 2014, era uma figuraça. Advogado por profissão, gozador por natureza e criador de confusão por puro prazer, deixou o seu nome gravado em bronze nas histórias desta outrora gentil e mui faceira Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. O bronze ele emprestou do tio famoso, o escultor João Turin; as histórias são quase todas de sua própria autoria.

Jiomar nasceu em Curitiba, em 02.05.26. “Cansado, porque era o dia seguinte ao Dia do Trabalho” – frisava. Foi advogado por mais de 60 anos, só de conselheiro da OAB foram mais de 20. Era da têmpera de Mauro Nóbrega Pereira, José Torquato Tillo, Lellis Antônio Corrêa, Égas Moniz de Aragão , Newton de Sisti, Élio Narezi, Alir Ratacheski, Augusto Prolik, Newton Stadler de Souza. Mas ele gostava mesmo era de uma boa troça. Que podia envolver amigos, familiares ou desconhecidos.

Na juventude, Turin quis ser ator. Integrou o Teatro Universitário Paranaense. Teve como colegas Armando Maranhão, Renê Dotti e Ary Fontoura. Mas sentiu que não tinha futuro ali. E foi ser professor. Como sabia bem inglês, ofereceu-se para dar aulas no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos, o célebre Inter-Americano, chancelado pela Embaixada dos Estados Unidos. Ía bem lá. Chegou a diretor. Até que descobriram que nutria certa simpatia pelas ideias do velho Marx. E o jovem professor foi mandado embora. O que ?! Um leninista, talvez trotskista, no Inter?! Era só o que faltava!… Saiu dando gargalhada.

E continuou aprontando.

Ainda estudante, Jiomar José foi contratado para defender dois amigos em uma ação de despejo. A ação estava fundamentada no mau uso do apartamento, constantemente utilizado para festas e jogatinas, com alta frequência feminina. A tática da defesa foi negar tudo, pois a prova cabia ao autor. Na audiência de instrução e julgamento, passou-se a ouvir as testemunhas, entre elas a síndica do prédio, uma senhora baixinha, de meia idade, que, claro, desancou os réus. Nas reperguntas, tentando desqualificar a depoente, Turin perguntou à dita senhora como ela poderia saber o que ocorria no apartamento, se nunca estivera dentro dele. A testemunha levantou-se, pôs as mãos na cintura, encarou o advogado e disse-lhe: “Muito me admira o senhor fazer essa pergunta, já que não sai de lá!…”

Numa festa de casamento, o casal Turin ocupava uma mesa com o casal Mauro Nóbrega Pereira. Como era então permitido fumar em lugares fechados, o bom Mauro, acendeu o inseparável cachimbo e passou a dar boas baforadas. Jiomar reclamou. Disse que aquilo não era cheiro de fumo, mas de “meia velha suja”. Como eram bons amigos, Mauro não deu atenção. Algum tempo depois, levantou-se para dançar com a sua “Lurde”, deixando o cachimbo em um cinzeiro sobre a mesa. Ao voltar, retomou o pito para novas baforadas. Foram várias as tentativas de acendê-lo. Em vão. Só aí descobriu que, durante a sua ausência, Turin havia entupido o cachimbo com doce brigadeiro e agora, feliz da vida, bailava solto no salão com sua Arlete.

Ao voltar de uma pescaria, Turin foi indagado pelo amigo Algacir Brunetto, que também atracava o seu barco, como fora o evento. Desanimado, Turin respondeu que naquele dia apenas levara as iscar para molhar. Algacir, então, exibiu um isopor contendo mais de 40 robalos e disse que poderia até oferecer-lhe alguns. Isso feito, foi ao banheiro. Quanto retornou, estranhou ver vários funcionários do Iate Clube carregando peixes e agradecendo a gentileza de Turin. Compreendeu de imediato o que ocorrera: Turin havia distribuído os pescados dele. Dos 40, conseguiu salvar pouco mais de meia dúzia.

Numa viagem a um país asiático, passeando por uma praça onde havia um templo, Turin notou que ali se realizava um culto. No lado de fora, como manda a tradição religiosa local, foram deixados os sapatos dos devotos. Não teve dúvida: desfez os pares e os trocou de lugar. Depois, ficou só aguardando para ver, de longe, a confusão que aconteceria ao final da cerimônia.

Mas a grande e incomparável “façanha” de Jiomar José Turin foi quando ele fez aquilo que todos nós já tivemos vontade de fazer um dia, mas faltou-nos coragem. Subia ele, tranquilo, a Rua Inácio Lustosa a bordo do seu potente (e enorme) Pontiac importado. A certa altura, o caminho estava interrompido por um moçoilo que parara o seu fusca em fila dupla, no meio da pista, para bater um papinho com um amigo que vira na calçada. Turin acionou a buzina. Nada. O cara nem deu atenção. Turin acionou novamente a buzina. Aí o folgado fez com a mão aquele sinal característico de “passe por cima”. Turin não teve dúvida: engatou uma primeira, acelerou, jogou o fusquinha com motorista e tudo para o lado e seguiu adiante…

Grande Jiomar José Turin! Como perdera o pai aos 10 anos de idade, passou a ter o tio, o escultor João, como referência masculina. Aprendeu o que pode de arte com ele e a língua italiana lendo Dante Alighieri. O tio corrigia-lhe a pronúncia. Em agradecimento, realizou o sonho dele: a perpetuação da sua arte e memória. Passou parte da vida recuperando o acervo de João Turin, reunindo-o e protegendo-o, na expectativa de que o Governo do Estado cumprisse, enfim, a Lei Estadual n° 1.538/53, do governador Bento Munhoz da Rocha Neto, que criava a Casa João Turin.

O resultado do sonho de João, encampado por Jiomar, aconteceu com a exposição de junho último no MON – Museu Oscar Niemeyer. Visitá-la foi o último ato público do sobrinho, um dia antes de ser internado e seguir, logo depois, ao encontro do tio.
Publicado em novembro de 2014.
Att. Gabriel Esperidião Netto

Gabriel Abbés L. Esperidião – Supervisor de Conteúdo [quando tem]
Jaffer G. L. Esperidião [ responsável por trazer meu pai de volta à Pvaí -Turin, Tide e Tadeu, vocês me devem uma dúzia de paes de queijo os cafezinhos correspondentes, rsrs]