Denúncia

Vaza delação em que Fanini afirma que Richa se beneficiou de esquema de propina; Beto nega

Segundo o ex-diretor, o dinheiro abasteceu as campanhas de Richa para a Prefeitura de Curitiba e para o Governo, além de bancar gastos pessoais
Por Redação Rádio Banda B com G1/PR em 05 de junho, 2018 as 16h06.

Uma extensa reportagem apresentada durante praticamente todo o jornal da RPC , na edição do meio-dia desta terça-feira (5), mostrou em detalhes o que o ex-diretor da Secretaria Estadual da Educação, Maurício Fanini, disse em delação premiada feita à Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-diretor está preso e negocia a delação. Até o momento, o acordo ainda não havia sido fechado.

Na delação, apresentada em várias reportagens, Fanini afirma ter intermediado pagamentos de propina para o ex-governador Beto Richa (PSDB) entre os anos de 2002 e 2015. As declarações foram documentadas nesta proposta de colaboração premiada, em dez anexos, obtida com exclusividade pela RPC e pelo G1.

Segundo o ex-diretor, o dinheiro abasteceu as campanhas de Richa para a Prefeitura de Curitiba e para o Governo do Paraná, além de bancar gastos pessoais como viagens e a compra de um apartamento para o filho mais velho de Beto Richa, Marcello Richa.

Richa nega tudo e fala em “manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral”. (Veja a nota completa do ex-governador mais abaixo).

Fanini foi preso duas vezes pela Operação Quadro Negro, que investiga desvios de verbas que deveriam ser usadas na construção e reforma de escolas estaduais. A estimativa do Ministério Público do Paraná (MP-PR) é a de que a fraude tenha ultrapassado o montante de R$ 20 milhões.

Réu em três ações criminais relacionadas à operação, Fanini está detido na carceragem da Polícia Federal (PF) em Brasília desde maio deste ano.

Ex-diretor Mauricio Fanini está preso e negocia delação

Maurício Fanini diz que Beto Richa passou a cobrar propina em 2001, quando era vice-prefeito da capital paranaense. À época, Fanini era diretor de Pavimentação de Curitiba, indicado por Richa, de quem diz ter se tornado amigo muito próximo desde a faculdade de engenharia, em 1983.

A primeira oferta de propina a Richa, afirma o ex-diretor, foi feita por Eron Cunha, dono da construtora Empo, por meio de um aditivo indevido de R$ 100 mil em uma obra de pavimentação no bairro curitibano do Cajuru, ainda em 2001.

Após ser apresentado a Eron durante uma viagem a Foz do Iguaçu, Richa negociou a propina e acertou que o dinheiro seria entregue em espécie para seu chefe de gabinete à época, Ezequias Moreira, conta Fanini, segundo reportagem da RPC.

No entanto, o pagamento não foi concretizado porque o aditivo foi reprovado pelo secretário de Obras da época, Carlos Scalco, cuja postura era “rígida e ética”, conforme o ex-diretor.

Maurício Fanini afirma que Beto Richa passou efetivamente a abastecer campanhas eleitorais com dinheiro de caixa 2, em 2002, quando concorreu pela primeira vez ao governo estadual e perdeu para Roberto Requião (PMDB). O dinheiro partia de empresários, por meio de aditivos e percentuais de contratos com a Prefeitura de Curitiba. Conforme o relato, o recebimento era sempre negociado por Ezequias Moreira e Luiz Abi, primo de Beto Richa.

As reportagens falam que empresários bancavam viagens de Richa com bebidas e jantares ‘caríssimos’ e que propina subsidiou apartamento e viagem para filhos do ex-governador.

Beto Richa nega tudo e fala em manobra

“A proposta de acordo de colaboração premiada de Maurício Fanini ainda se encontra sob sigilo e mais uma vez foi vazada criminosamente.

Esta forma ilícita de agir parece ser uma manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral, na tentativa de nivelar todos os políticos por baixo.

Não faço parte desta cena deplorável, onde criminosos confessos buscam envolver pessoas inocentes em crimes que somente eles praticaram.

O que esses criminosos pretendem? Ora, a resposta é muito simples! Pretendem conseguir a redução das penas a que certamente serão condenados pelos crimes cometidos e já confessados à Justiça, mesmo que para isso tenham que envolver pessoas honestas.

No caso de Maurício Fanini, a condenação pelos crimes praticados e por ele próprio confessados chegará a 50 (CINQUENTA) anos de prisão !

Portanto, está mais do que explicado porque Fanini tenta delatar tudo e todos, sem, no entanto, apresentar quaisquer indícios de provas.

Qual a razão de dar credibilidade a um criminoso que realizou 870 depósitos em dinheiro vivo, em sua própria conta corrente, pagou cartões de crédito em dinheiro vivo e formou um patrimônio incompatível com sua renda?

É uma tentativa desesperada de delação, que pela ausência de provas, não será aceita pela Justiça. São acusações criminosas, com o objetivo de envolver pessoas inocentes, retirando o foco das fraudes por ele cometidas.

E para isso, mente descaradamente. Nem eu, nem qualquer membro da minha família, recebeu dinheiro desviado dos cofres públicos.

A compra do apartamento do meu filho Marcello foi realizada de forma regular, com recursos próprios e transferência bancária, sem a utilização de dinheiro vivo, o que foi esclarecido também pelo vendedor do apartamento, que foi ouvido duas vezes pelo Ministério Público Estadual.

Igualmente é criminosa a afirmação de que minha mulher teria solicitado 1.000 dólares para uma viagem de meu filho André ao Peru. Quem nos conhece sabe que não precisamos disso e a afirmação beira o absurdo.

Repito: é uma delação criminosa, sem provas, que busca apenas confundir as pessoas. Espero que a Justiça apure e esclareça rapidamente essa questão, para que os culpados sejam punidos de forma exemplar.”

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