Os 9 mandamentos do político honesto segundo o senador que abriu mão de mordomias

Brasil

Conhecido nacionalmente por ter renunciado às mordomias oferecidas pelo Senado Federal, como verbas indenizatórias, salários extras, auxílio-moradia, carro oficial, viagens internacionais, dezenas de assessores, aposentadoria especial e plano de saúde, o senador Reguffe (DF), que continua sem partido, está cobrando os mesmos compromissos para candidatos que o procuram solicitando apoio nas eleições deste ano.

Na primeira metade do mandato, a economia feita no seu gabinete chega a R$ 6 milhões. Nas eleições deste ano, não será candidato (estava cotado para o governo do Distrito Federal). “Vou honrar o compromisso que assumi de cumprir o mandato inteiro no Senado. Não é correto largar mandato pela metade e deixar para alguém em quem as pessoas não votaram e que, muitas vezes, nem sabem quem é”, justificou o senador. Ele ainda não escolheu o seu candidato a presidente nem a governador do DF.

Em cada eleição, ele sempre é procurado por candidatos à procura de apoio. Neste ano, decidiu deixar mais claros os compromissos de seus aliados: “Nessas eleições, pretendo ajudar um processo de renovação política, ajudar pessoas novas a entrarem na política, fazendo com que essas pessoas tenham um caminho mais curto do que foi o meu”. Ele foi eleito pela primeira vez após três tentativas como candidato a deputado distrital. Depois, venceu para deputado federal e senador, em mandatos consecutivos.

Sem cabide de empregos

Ele criou uma pauta de compromissos mínimos com nove itens. “Todos esses itens eu pratico no meu mandato”, destaca o senador. Os quatro primeiros são: não aceitar salários extras, não usar verba indenizatória, reduzir o número de assessores do gabinete e reduzir à metade a verba para o pagamento dos assessores.

“Aqui no Senado, um senador tem direito a 55 assessores. Eu tenho apenas nove. Na Câmara, um deputado pode ter 25 assessores. Na Câmara Legislativa, reduzi de 28 para apenas nove, para que tivéssemos mais dinheiro para a saúde, educação, segurança, e menos dinheiro sendo gasto com gabinetes de parlamentares”, justifica. Levantamento do blog mostrou que alguns senadores subdividem os cargos e chegam a ter mais de 80 assessores.

A quinta exigência é votar contra qualquer aumento de impostos. “Se o governo tiver que fazer um ajuste fiscal, que seja na despesa, cortando gastos e tentando ser mais eficiente. E nunca aumentando impostos para fazer o contribuinte pagar a conta”, explica Reguffe. A sexta é não viajar com dinheiro público. Como mostrou reportagem do blog, um senador chegou a gastar R$ 48 mil com passagens de ida e volta para o Japão.

O sétimo item prevê que todas as emendas ao Orçamento sejam destinadas exclusivamente para saúde, educação e segurança pública. “Ou seja, nada de emendas para shows, festas, aniversário de cidades. É destinar os recursos públicos para onde ele é prioritário, para a população”, explicou em vídeo que postou nas redes sociais.

Sem “toma-lá-dá-cá”

Cumprir o mandato integralmente é a oitava exigência. A última é assumir o compromisso de não indicar ninguém para o governo, “para que o parlamentar possa ter independência de verdade. Na hora em que vota um projeto, o parlamentar tem que pensar única e exclusivamente se aquilo é bom ou ruim para a população, e não que naco do Estado ele vai ter e não quantos cargos ele vai poder indicar. Ou seja, nada de ‘toma-lá-dá-cá’. O foco dos votos será a população”.

No vídeo, o senador pede que o eleitor cobre tudo isso dos candidatos. “Nós precisamos ter uma postura de mudança na política. Esse é o momento de você cobrar dos candidatos. Eu tenho orgulho de ter cumprido tudo o que escrevi nos meus panfletos de campanha. Com esses nove compromissos, vocês terão uma classe política diferente. Estou exigindo isso daqueles a quem vou emprestar o meu apoio no Distrito Federal e no resto do país, para que tenhamos realmente uma renovação na política”.

As exigências são feitas a candidatos proporcionais (deputado distrital e federal) que não têm mandato. Um grupo de candidatos de diversos partidos já assumiu os compromissos. São pessoas novas na política, que nunca exerceram mandato.

Lúcio Vaz

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